Construção civil acelera adoção de práticas sustentáveis em 2026

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O setor da construção civil, um dos principais responsáveis por emissões e geração de resíduos no mundo, intensifica a adoção de soluções sustentáveis em 2026 no Brasil. Dados mais recentes indicam que os edifícios são responsáveis por 32% da energia consumida globalmente e 34% das emissões mundiais de CO₂, exigindo novas práticas construtivas para enfrentar a urgência climática e social.

Panorama global: a construção civil e seu impacto ambiental

Segundo o Relatório Global sobre a Situação da Construção e Edificações 2024-2025, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Aliança Global para Edificações e Construção (GlobalABC), o setor de edificações responde por cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e da geração de resíduos sólidos no planeta. É um quadro alarmante para países em desenvolvimento, como o Brasil, cuja urbanização acelerada pressiona recursos naturais, infraestrutura urbana e habitação.

Além do consumo direto de energia e água — recursos cada vez mais disputados —, há desafios de circularidade: segundo dados da CBIC e do IBGE, apenas 5% dos resíduos de construção são reciclados no Brasil, enquanto na União Europeia essa taxa chega a 70%. O setor ainda enfrenta entraves históricos como desperdícios na execução, menor durabilidade e obras pouco integradas à lógica de sustentabilidade desde o projeto.

“Promover práticas de construção sustentável não é apenas uma opção, mas uma urgência climática e social”, ressalta o Buildings-GSR 2024-2025.

Do projeto à execução: o desafio da sustentabilidade viável

No contexto brasileiro, empresas de engenharia buscam equilibrar sustentabilidade, viabilidade técnica e custos. Alexandre de Souza, diretor da Projelet — tradicional empresa de Belo Horizonte especializada em projetos de instalações prediais —, destaca a importância das decisões tomadas na etapa de projeto para o desempenho ambiental e econômico das edificações.

“Nosso maior desafio é integrar disciplinas desde o início e buscar soluções viáveis, evitando medidas difíceis de aplicar na obra real”, compartilha Souza. A empresa, fundada em 2002, atua com projetos elétricos, hidrossanitários, de gás, prevenção de incêndio e climatização, além de consultorias e treinamentos para o setor. Segundo Souza, práticas como compatibilização BIM, especificação criteriosa de equipamentos, uso de sistemas inteligentes de consumo e gestão de resíduos ganham protagonismo.

  • Redução de desperdícios por meio do projeto integrado
  • Otimização de sistemas de energia e água
  • Escolha de equipamentos eficientes e certificáveis
  • Maior previsibilidade de custos ambientais e operacionais
  • Prevenção de retrabalhos comuns em grandes obras

No Brasil, a demanda por edificações certificadas segue crescendo: o ano de 2025 fechou com mais de 1.600 empreendimentos registrados em selos como LEED, AQUA e EDGE, segundo o Green Building Council Brasil.

Cadeia produtiva e inovações: entraves e avanços sustentáveis

O desafio de universalizar boas práticas no setor envolve desde marcos legais até acesso a novas tecnologias. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (2010), a Lei Federal nº 12.305 e normas como ABNT NBR 15575, de desempenho em edificações, impulsionam responsablização dos agentes e o desenvolvimento de soluções inovadoras. O próprio Ministério das Cidades aposta na atualização de diretrizes e incentivos à economia circular e à eficiência energética, em sintonia com a agenda de descarbonização brasileira para 2050.

Entretanto, a integração entre projetistas, construtores e fornecedores ainda esbarra em gargalos na qualificação da mão de obra e em custos elevados de materiais sustentáveis. Por outro lado, a industrialização da construção civil, a digitalização de processos, a disseminação do BIM e a adoção de sistemas construtivos inovadores vêm mudando o cenário — de residenciais de alto padrão a hospitais públicos, o setor amplia escolhas que priorizam durabilidade, redução do peso estrutural e baixo impacto ambiental.

Em 2026, cerca de 38% das novas obras comerciais em capitais brasileiras já nascem com requisitos de sustentabilidade explícitos desde a fase de projeto.

Gestão de água, energia e resíduos: soluções integradas em pauta

Entre as estratégias consideradas prioridade pelas empresas de projetos estão a adoção de sistemas de reuso de águas pluviais, sensores inteligentes para iluminação e ar-condicionado, especificação de materiais de baixo carbono (como cimento e aço verde), e arquitetura bioclimática.

Segundo Alexandre de Souza, a Projelet aplica soluções robustas para aumentar eficiência e reduzir perdas durante a operação. “Buscamos especificar equipamentos e sistemas de maior durabilidade e performance, que de fato consigam entregar redução no consumo de recursos e baixem o custo operacional dos empreendimentos”, reforça. O foco se amplia também para espaços que otimizam oferta de luz e ventilação natural, melhorando a saúde e bem-estar dos ocupantes e a performance energética total do edifício.

  • Sistemas de reaproveitamento e armazenamento de águas cinzas
  • Uso de biomassa e energia fotovoltaica em obras corporativas
  • Gestão integrada de resíduos, com separação e destinação de entulhos
  • Certificação ambiental para grandes empreendimentos urbanos

A engenharia de instalações, tradicionalmente vista como área de suporte, passa a ser instrumento estratégico do desempenho sustentável de uma edificação, seja na escolha e automação das redes, seja no direcionamento técnico para certificações verdes e redução da pegada de carbono dos projetos entregues.

Soluções estruturais inovadoras: rumo a lajes leves e baixas emissões

Entre as tendências que elevam a sustentabilidade do setor construtivo está o avanço das lajes estruturais com menor consumo de materiais, maior leveza e uso inteligente de componentes reciclados. Sistemas como o da BubbleDeck dialogam com os desafios levantados pelo PNUMA e pelas empresas inovadoras: a redução do concreto estrutural — um dos principais emissores de CO₂ da construção civil mundial — e o aproveitamento de materiais plásticos reciclados na fabricação de esferas incorporadas à laje.

A adoção dessas lajes resulta em até 35% de economia no uso de concreto e até 50% de redução no peso próprio, fatores que se traduzem em economia de recursos naturais, redução da carga em fundações e transporte, além de menor necessidade de escoramento e mão de obra. O prolongamento dos vãos livres, que superam 16 metros sem pilares intermediários, potencializa a flexibilidade de layouts e reduz intervenções em grandes hospitais, escolas e shoppings — tipologias especialmente citadas em estudos da GlobalABC como prioritárias para inovação em sustentabilidade construtiva.

Esse enfoque no ciclo completo da obra — do projeto integrado à entrega de estruturas mais leves, seguras e com menor impacto ambiental — alinha-se ao movimento internacional e nacional de transformar desafios ambientais em oportunidades de inovação tecnológica, industrialização e qualificação do setor brasileiro nos próximos anos.

Sustentabilidade como vetor estratégico nas obras brasileiras

O avanço de práticas e materiais sustentáveis na construção civil em 2026 atesta uma virada de mentalidade: o desempenho ambiental deixou de ser exceção e passou a ser critério para viabilidade técnica, financeira e regulatória. O setor responde a pressões globais, à evolução dos marcos normativos nacionais, à exigência dos consumidores e à multiplicação de casos bem-sucedidos de engenharia integrada no país. Soluções construtivas inovadoras como sistemas de lajes bidirecionais leves reforçam a estratégia de diminuir emissões, racionalizar o uso de recursos e entregar obras mais flexíveis, duráveis e alinhadas com o futuro das cidades brasileiras.

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